Especialista em segurança pública não vê eficácia em ação da Força Nacional
O alto índice de violência no Rio de Janeiro tem alcançado recordes negativos para a Cidade e o Estado como um todo. Uma situação de extrema calamidade que tem feito diversas vítimas da sociedade, incluindo crianças e, principalmente, policiais. Já são quase 100 PM´s mortos somente neste ano. Nas últimas semanas o Governo do Estado recorreu ao federal e foi atendido com a chegada de mais de 10 mil agentes da Força Nacional. No entanto, essa estratégia já adotada em outras ocasiões não resolve o problema. Esta é a opinião do advogado criminalista e especialista em segurança pública, Dr. Marcos Espínola. Para ele, não vão ser agentes de segurança de fora do Estado, que não conhecem a geografia da Cidade e nem estão preparados para o combate diário aos criminosos que integram as facções organizadas e fortemente armadas que vão trazer paz para a população.
De acordo com o especialista, manter esses homens por 10 ou 15 dias e depois deixar o local é altamente ineficaz. “Esse tipo de ação, com incursões pontuais em determinadas áreas pode gerar ainda mais medo e insegurança para a população local. E o dia depois de amanhã?”, indaga Espínola, ressaltando que todo esse aparato sem planejamento não irá gerar resultados positivos a longo prazo.
Segundo ele, a população já não aguenta mais pirotecnia, ou seja, ações evasivas sem um plano estratégico e consistente. Espínola destaca que o Rio de Janeiro vivenciou recentemente algo similar, na qual a falsa sensação de segurança fez o povo acreditar que o cenário estava mudando, mas foi um engano. “A pacificação trouxe esperança, mas pouco a pouco o cenário voltou ao que era, ou melhor, piorou. A política de confronto foi mantida e o reflexo tem sido o derramamento de sangue”, lamenta.
Espínola defende mudanças drásticas na condução da política de segurança pública, deixando de lado o confronte e investindo em inteligência e ações casadas com os órgãos federais, começando pelas fronteiras. “O tráfico de drogas e de armas são os pilares das organizações criminosas e tudo passa pelas nossas fronteiras”, alerta o especialista, acrescentando que no perímetro urbano um caminho viável pode ser a participação efetiva das guardas municipais, com o direito de utilizarem arma de fogo em serviço.
Ele lembra que este movimento vem ganhando força e já está acontecendo em algumas cidades. Em Niterói, por exemplo, a Guarda armada poderá, efetivamente, apoiar a polícia no combate a determinadas ocorrências e delitos menores, obedecendo, é claro, às atribuições da corporação. “É interessante este caminho, desde que se façam todos os treinamentos e preparação desses agentes. Colocando os Guardas municipais para patrulhar locais que não tenham alto índice de crimes violentos teremos um aumento do efetivo na Cidade que, certamente, apoiará a Polícia Militar na manutenção da ordem.
